Archive for 2007

O post anterior, sobre UBLA, foi escrito dia 12 de novembro. No dia 21, o Blógico ganhou um post sobre o mesmo tema, muito mais conciso. Eu quase tive a pretensão de achar que o Rafael Azevedo, autor do Blógico, teve essa idéia ao ler o meu post; voltei à realidade segundos depois.

Foi sorte ter escrito antes dele: fosse o contrário, eu perderia o post sobre o qual vinha matutando há semanas e a coincidência, atualmente uma até confortável “alguém mais famoso pensa como eu”, seria um chateante “eu penso como alguém famoso” – guardadas as proporções, note-se, porque blogueiro famoso é como anão alto.

Em todo caso, pra não quebrar o ritmo de reclamações e aproveitando que o post está curto, menciono algo que me incomoda quase tanto quanto os pontos-finais que mencionei, mas são no máximo uns ponto-e-vírgula que uso pra fazer um muxoxo. É o uso de “(epa!)” depois de qualquer palavra que remotamente remeta a sexo. Por exemplo:

“Durante a introdução (epa!) do novo membro (epa!), ele se meteu (epa!) a discursar sobre a penetração (epa!) do grupo na sociedade.”

Qual é a relevância disso? Não é engraçado, não é interessante, não demonstra esperteza do autor. Nas remotas terceira, quarta e quinta séries do ensino fundamental (que ainda nem chamava ensino fundamental), alguns garotos consideravam o ápice da comédia dizer “pênis” a qualquer hora, sem qualquer motivo. Alguns deles cresceram; outros só acham que ficaram mais sutis.

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Imaginemos uma cidade hipotética no Acre. Começou com uma vilazinha, depois outra próxima, até que as vilas decidiram se unir e se denominar bairros de uma cidade em comum, e não mais vilas. Mas não conseguiram pensar num nome, então a cidade passou a ser chamada “União de Bairros do Leste do Acre”, UBLA. Os pobres cidadãos, além de morar no Acre, ainda teriam que se chamar Ublaenses? Preferiram ser só acreanos. Não quer dizer que os moradores das outras cidades do Acre sejam menos acreanos que os de UBLA; são tão acreanos quanto, e ainda moram numa cidade com nome, olha que vantajoso.
Eis que um carioca, professor de qualquer coisa da UFRJ, diz que não pode, que acreanos são todos os nascidos no Acre, e os cidadãos de UBLA precisam de um nome que os identifique sem confundi-los com os outros habitantes do estado: Bairrunidenses, portanto.

Os acreanos de UBLA não dão a mínima pra como um professor da UFRJ os chama, mas o meio acadêmico acha que a idéia é muito boa e logo todos os professores da UFRJ e também os da USP estão usando o termo. Tudo bem: o leitor comum sabe, então, que, ao se deparar com o termo “bairrunidense” num texto, está lendo algo escrito por um acadêmico enfadonho que tem picuinhas com acreanos de cidades sem nome, e pode tranqüilamente ignorar o texto.

Portanto, quando estou lendo um texto em português e vejo a palavra “estadunidense”, eu automaticamente paro de ler. Não importa em que parte do texto estava, essa palavra é o ponto final pra mim; tudo que vem depois é só rabisco, não é letra. Porque sei que quem escreveu é um chato, com 98% de chance de ser comunista, e tem picuinha daqueles americanos que moram num país sem nome.

A Wikipedia brasileira está cheia de pontos finais.

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If you came looking for that xkcd comic, please follow this link. Sorry for the inconvenience.

Um mês atrás o gerúndio foi demitido no Distrito Federal. A revista Veja de ontem traz um artigo interessante sobre isso, mostrando como o gerúndio per se é gente boa e o problema real é o gerundismo. Mas o artigo não se detém nesses detalhes de qual é o problema real e foca bastante o gerúndio, para dizer algo interessante: nós usamos o gerúndio como Camões usava, enquanto os portugueses atuais estão a usar uma forma estranha que se popularizou no século XIX.

Independente de tudo isso, no mesmo artigo notei o uso de um termo que parece ter surgido nos últimos anos, foi instalado sorrateiramente e ninguém percebeu, mas todos estão usando. É o “influi”. De repente o verbo “influenciar” deixou de existir e deu lugar ao “influir”; nada mais “influencia”, tudo “influi”. Que raios? Como se não bastasse o fim do trema, perdemos um verbo, também. Será influência de alguma coisa?

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Being aware of MovableType 2.65’s limitations and taste for breaking whenever anything else completely unrelated is updated in the server, and considering more recent versions are no longer free, I have decided to switch to Word Press (instead of going back to Live Journal – imagine that: me, in a “social” site). I am not sure if anyone uses this site’s RSS feed (or even if it works), but this post serves mainly to ask anyone who does to visit the new version and subscribe to the new feed instead.

Thank you.

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Tramas de novela costumam ter um segredo conhecido por uma ou mais personagens mas não pelo telespectador e outro conhecido pelos telespectadores mas não pelas personagens (ou apenas por algumas).

O primeiro caso é o que gera polêmica; o exemplo máximo é “quem matou Odete Roitman”. Outros mistérios menores são revelados antes do último capítulo, mas não vou me esforçar pra dar mais exemplos.

O segundo caso dá aos espectadores alguma base pra tentar determinar a resposta do mistério (ou mistérios) ou serve simplesmente para que o público tenha visão mais ampla da trama. O caso mais notório da atualidade vem da novela das oito cujo nome não faço questão de guardar: a gêmea malvada que mata a irmã e se coloca em seu lugar – exatamente como feito em “Mulheres de Areia”, ouvi dizer.

A novela vai passando e esses segredos vão sendo revelados – ou para as personagens, quando o telespectador já sabia, ou para o espectador, quando alguma personagem já sabia. Até que isso aconteça, no entanto, há forte discussão, com base em informações conhecidas e segredos que só os espectadores conhecem, sobre os mistérios ainda não resolvidos. “A Bia Falcão se encontra escondida com o advogado responsável pelo golpe, então deve ser ela que mandou matar a mocinha”, conjectura-se; opiniões contrárias e visões divergentes sobre determinados fatos da história são comentadas e analisadas pelos espectadores. Tudo isso sem grande conseqüência: Fulana tem certeza que Bia Falcão matou o cara, com base em X e Y, e dois capítulos depois é mostrado que X e Y não tinham relação com o caso e quem matou o cara foi Tião Gavião por causa de A e B. Fulana estava errada em sua certeza, fica chateada cinco minutos, e procura algo novo para comentar até o capítulo seguinte.

Eis que surge um problema. Se o capítulo não viesse dizer que na verdade foi Tião Gavião que matou o cara por causa de A e B, Fulana ia eternamente ter certeza da culpa de Bia Falcão por X e Y. E ia discutir com Beltrana por horas a fio, tentando convencê-la disso, porque acha absurdo que Beltrana acredite que quem matou o cara foi Maria Harpia por causa de C e Z.

Beltrana não se daria por vencida e colocaria vídeos no YouTube com coleções de cenas que deixam clara a culpa de Maria Harpia. Cicrana, que nem estava na história, deixaria um comentário no YouTube com um link para um post em seu blog onde lista situações similares em novelas anteriores desse mesmo autor e de outros autores contemporâneos e apontaria cenas desta própria novela que levam a crer que foi Tião Gavião por A e B.

Fulana criaria a comunidade de orkut “Bia Falcão matou o cara”, que logo teria dois mil membros discutindo as inúmeras facetas da vilã e razões para ela ter matado o cara. Beltrana, que leva tudo muito a sério e não tem muito mais o que fazer, abriria o site tiaogaviaomatouocara.com.br, com fórum, galerias, notícias sobre as últimas armações do vilão, artigos escritos por ela e por convidados argumentando contra outros potenciais vilões no caso da morte do cara, além de encontro bimestral dos membros.

Et cetera. Assim as três e seus exércitos assistiriam aos capítulos existentes vezes e mais vezes e discutiriam infrutiferamente por décadas.

Felizmente, o capítulo do dia seguinte veio pra resolver o mistério, e elas puderam continuar com suas vidas e não traçar o perfil psicológico de Maria Harpia e não fundar a Associação Nacional de Quem Matou o Cara.

Em suma, Machado de Assis está rindo da nossa cara. Maldito.

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