Cada vez me impressiona mais a capacidade que o trabalho em tempo integral tem de sugar a vida de uma pessoa. No último post eu disse que tentaria escrever com alguma freqüência, mas me falta tempo e, quando não, vontade. Vontade não é a palavra adequada: em inglês seria “drive”.
Mentiria, no entanto, se dissesse que não tive idéias sobre coisas para escrever. Tive-as, sempre em hora e lugar impróprios; esqueci-as quando cheguei a um bloco de notas ou ao próprio site. Pior: notei dias atrás que as poucas anotações que fiz e poderia usar já foram usadas, indiretamente, em algum outro post. Auto-sabotagem.
Em todo caso, um comentário rápido sobre algo que notei recentemente. Há uns dias, vi um carro com uma marca que denunciava que ali havia um adesivo de terço, aquele com uma silhueta de Nossa Senhora, ou o mapa do Brasil. Não sei dizer se foi tirado ou caiu, mas me fez perceber que esses adesivos começaram a sair de moda. Finalmente. Não achei que o “Estância Alto da Serra” era o fundo do poço, mas não imaginava que seu sucessor seria tão ignóbil.
No lugar do terço, vejo agora ao menos um símbolo da Apple por dia.
Será que isso vem com iPods? Com iPhones? Ou as pessoas os compram avulsos? Independente da origem, nunca vi um carro com adesivo do símbolo da Microsoft, do próprio Windows, da Dell, do Google, da Sony, da Creative, da Samsung, da Nokia. Nem da Motorola. Nem da Motorola!
Não sinto saudades do terço, mas o Estância Alto da Serra já começa a soar como símbolo nostálgico de uma era menos tonta.
Torço fortemente pra que, em uma ou duas décadas, todas as iCoisas, os celulares da Motorola (e sua associada abolição de vogais), os adesivos de terços e, principalmente, as redes sociais se juntem aos bigodões e às polainas na categoria de coisas “onde estávamos com a cabeça?”.
O trabalho em tempo integral também.
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