Não me preocupo muito com os nomes das ruas, mas alguns aparecem com freqüência ao se falar do trânsito na cidade, e começaram a me cutucar. Parei pra pensar um pouco nisso.

Começando pela Luis Inácio de Anhaia Melo. Anhaia. Não quero desrespeitar a família Anhaia, mas sempre que ouço isso tenho a impressão que estão fazendo graça. Luis Inácio de Anhanhamorgue. Para a rua, bastaria o nome Luis Inácio Melo, ou até Luis Melo.

Avenida Jorge João Saad. Complexo Viário João Jorge Saad. Algum deles se ofenderia se o segundo nome fosse omitido para evitar a confusão?

João Julião da Costa Aguiar parece verso de brincadeira de roda. “João Julião da Costa Aguiar / Não come agrião e vive a espirrar!” Eu entendo que Julião não era um nome incomum décadas atrás, mas por que usá-lo logo depois de outro nome com a mesma terminação? João da Costa Aguiar. Pronto. Mais fácil de falar e não gera cantiga.

“Ah, mas isso é um desrespeito com o nome deles! Tem que ter o nome completo!”

Não tem. E esse não ter é a razão de minha bronca maior ainda: Dr. Arnaldo. Não fosse a Drogaria São Paulo e agora a Wikipédia, eu (e muita gente) jamais saberia que se refere a Arnaldo Vieira de Carvalho, médico fundador da Faculdade de Medicina da USP. “Dr. Arnaldo”. Por quê? Porque ele era mais conhecido assim? Imagino que a faculdade tenha uma estátua, um busto, ou ao menos uma placa com o nome de seu fundador, e eu duvido muito que ela diga apenas “Dr. Arnaldo”. Colocassem o nome todo na rua.

O mesmo vale para o Dr. César e o Dr. Zuquim, que provavelmente não fundaram faculdades, mas eu não saberia, porque devem existir milhares de César com doutorado ou formados em medicina, ou mesmo odontologia. Zuquim devem ser só uns cinco ou seis, mas continua valendo.

Tem ainda a rua Estela, mas essa eu nem mesmo sei se foi pessoa de fato. Não tendo nem título nem sobrenome, pode ser qualquer Estela. Se fosse Stella, eu diria que é a Stella Barros. Assim como a Dr. Arnaldo pode ser uma homenagem ao personagem de Diogo Vilela em “Toma lá, dá cá”.

Passo às vezes pela Hilário Magro Júnior. Não dá pra comentar o nome da rua em si, mas eu espero que esse senhor de dois adjetivos não tenha guardado rancor de seu pai. Se eu preferir uma rota alternativa, na rua anterior as placas discordam: o Professor Guilherme Milward perde o cargo cinqüenta metros depois.

Isso me lembra a época em que trabalhei numa agência de publicidade e virava na Al. Apetupás que, na outra esquina, era Apetubas. Guardo o nome até hoje (que desperdício de memória) porque eu sempre pensava “aperta o passo” ou “a pé tu passa” quando, sempre atrasado, ficava parado no semáforo enquanto os pedestres passavam. “Esse é seu cérebro. Esse é seu cérebro trabalhando com publicidade.”

Sim, foi filler.

5 Responses to ““Stella! Come on, Stella!””
  1. Flines says:

    Um dia as pessoas passarão pela importantíssima avenida Liene Rodeguero. “Putz, tô parado aqui na Liene, tá um inferno!”

    Porque essa bagunça de nomes nunca vai acabar. Mas ainda é melhor que números.

  2. lorneau says:

    Droga, esqueci de falar da R. Mofarrej.

  3. Flines says:

    Acho a Ai Pixuna muito mais importante.

  4. Calebe says:

    Assino embaixo, quanto aos números. Melhor que aquela confusão que é em Brasília. Nunca vou entender.

    Os meus nomes de ruas favoritos são “Zaki Narchi” e “Yervant Kissajikian”, apesar de nenhum deles fazer contexto neste post. (Mas de vez em quando eu penso, muito infeliz e infamemente, que “esse Yervant devia ser um beijoqueiro.”)

    E eu também passei a confundir a Anhaia Melo com a Anhanhamorgue.

  5. Flines says:

    Anhanhamorgue ainda não é rua. Vai ser um cruzamento com a Av. Liene.

  6.